Jogos… Quinta-feira, Jun 19 2008 

Lembram-se da Antiga Roma?

Os imperadores romanos desde cedo perceberam que a melhor maneira de se manterem por mais tempo no poder era agradar ao povo e não apenas aos senadores. Os senadores também deveriam estar agradados, mas esses eram uma tarefa mais complicada, política.
O povo…
O povo, esse, contentava-se com jogos. Gladiadores, luta com feras, corridas de cavalos. Todos eles espectáculos sangrentos, mas que o povo adorava. Um imperador que apoiasse este tipo de iniciativas era bom para o povo. Vejo isto como uma forma de controlo, “Enquanto vos conseguir divertir, tenho poder”.

Hoje em dia os jogos não são sangrentos.
Portugal é como Roma, não há gladiadores, há uma Selecção.
Todo Portugal pára para assistir aos Jogos. Tudo se esquece enquanto é hora de jogo.

Não sei quem se lembrou de aplicar esta prática romana, mas esse alguém merece a minha admiração e respeito.
O povo…nem tanto…

Anúncios

Quero – palavras de um louco Quarta-feira, Jun 4 2008 

Quero libertar-me
Quero sair
Quero dizer “não”
Quero dizer “basta”
Quero ver

Quero permitir-me ver
Quero tocar

Quero permitir-me tocar
Quero sentir

Quero permitir-me sentir
Quer Ser

Quero dar
Apenas dar

Quero viver como sei que se vive
E não como todos pensam que se vive
Vou libertar-me
Soltar de vez as amarras

Eu Sou…

O velho catecismo… Sábado, Maio 31 2008 

Encontrei o meu catecismo
Aquele velhinho, aquele primeiro
Como que nostálgico, começo a sentir as
páginas já amareladas…

…”Lição nº5 – A primeira desobediência

Deus criou Adão e Eva e colocou-os no
Paraíso terrestre.
Era tão amigo deles, que veio viver nas
suas almas.
Em troca, Deus só queria que eles O amassem
e Lhe obedecessem.
Adão e Eva assim faziam
Mas, um dia, enganados pelo Demônio
desobedeceram a Deus!
Perderam a amizade de Deus e
ficaram sujeitos ao sofrimento e à morte.”

Este é um tema que me agrada bastante, e este pequeno texto revela-se um enorme exemplo.

Vejamos,
como sempre ouvi, Deus criou-nos à Sua imagem e semelhança, mas…
…este deus parece-me criado à Nossa imagem e semelhança.

Um deus tão omnipotente, tão omnipresente, o alfa e o ómega, o princípio e o fim, a causa de tudo, o criador…tem necessidades.
Necessidades que o seu infinito poder não consegue saciar…e ao sair frustrado o seu Santo propósito age como uma criança mimada.

Deus só queria uma coisa. Ser amado e sentir o seu poder, mandando, dando ordens
“…só queria que eles O amassem
e Lhe obedecessem”

Deus na sua infinitude sente-se sozinho e tem carência de afecto.
Só quer (necessita) que o amemos e lhe obedeçamos.

Imaginem um namorado/a ciumento/a ao extremo.
Só podemos ter olhos (e tudo o mais) para ele/a

É incómodo?

Deus é pior…

Conhecendo a natureza humana, não existindo ainda na altura um “senão”, dá-se uma “facadinha no matrimónio”. Ou seja, desobedecemos a deus.

“Há mais para fazer no mundo para além de Te obedecer, ouviste???” xD

Não vou entrar sequer com o episódio do Demónio, esse magnânimo ser. Afinal, segundo isto só desobedecemos porque fomos ENGANADOS!!

Mas, seguindo, desobedecemos.

E deus, claro está, teve um ataque de ciúmes,
fez birra,
irritou-se,
e disse que já não era amigo…

…como se não bastasse
arranjou um esquemazinho maquiavélico
de vingança,
e do alto do Seu trono
com o seu infinito poder,
ainda com o embalo da Criação
e toda aquela energia e imaginação a fervilhar, qual artista,
criou
o sofrimento
e a morte.

(lembrem-me de Lhe agradecer um dia em que O encontre)

Deus criou a danação eterna

(não falo também da acção de despejo a que a seguir Ele procedeu)
(hmmm…será que o paraíso está arrendado desde então?)

A lição acaba, como sempre, com uma pergunta pertinente e a legítima resposta:
“Porque é que nós sofremos e morremos?
– Nós sofremos e morremos por causa do pecado de Adão e Eva.”

Coitados
Primeiro tiveram de aturar deus
e as suas complicadas cenas de ciúmes
Depois são ludibriados
Como se ser enganado já não fosse suficientemente mau,
o Velhote Ciumento, qual fonte de Amor e Perdão
dá azo à sua veia artística
e cria o sofrimento e a morte
para atormentar o casalinho e a sua prole,
expulsa-os de casa
(lembro aqui que na época não existiam Classificados),
e diz que não é mais amigo deles.

E nisto fico curioso e passo à página seguinte

“Lição nº6
(…)
Quando é que nós fazemos pecados?
-Nós fazemos pecados sempre que desobedecemos a Deus.”

Ora, na lição nº5, não me explicaram exactamente o que Deus queria. Aparentemente ele nos dias de hoje não fala muito (é tímido), mas o Papa, os bispos, os padres e os nossos pais parecem ter a exacta noção do que Deus quer…pelo menos para nós.

Verdade seja dita…é melhor obedecer
Já vimos que deus não tem um feitio fácil
eu diria mesmo fodido.

Como sabemos o que nos manda ele?
É mais ou menos difícil
Ele não fala connosco,
provavelmente está amuado,
mas

1. Adorá-Lo e amá-Lo
2. Não invocar o nome d’Ele em vão
3. Santificar os Domingos e todos os dias de festa (de guarda!!)
4. Honrar e obedecer a pai e mãe e outros legítimos superiores
5. Não matar
6. Guardar castidade nas palavras e nas obras
7. Não furtar
8. Não levantar falsos testemunhos.
9. Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos
10. Não cobiçar as coisas alheias

Obrigado a Ti por nos
dares todas estas indicações.
(se não fosse isto bem que estávamos lixados

e mesmo assim, nunca se sabe!!
Ele passa-se!!!)

Mais vale tarde que nunca… Sexta-feira, Maio 30 2008 

“Mais vale tarde que nunca”

É espantosa a quantidade de vezes que sou confrontado com esta pérola, e mesmo assim, felizmente, ainda não produziu um efeito de habituação.

Não gosto da expressão, claro está.

Primeiro porque é formada pelo senso-comum que é algo que eu simplesmente não gosto. Ora o senso comum é um conhecimento incompleto, que apenas se completa quando usado numa situação, com as propriedades dessa situação.

Ora…mas o senso-comum tenta generalizar e ser bastante amplo…amplo até demais.

Vejamos…eu consigo imaginar uma situação em que a expressão “mais vale tarde que nunca” é válida.
Se se atrasarem a pagar-me a bolsa ou a mesada, sem qualquer problema de consciência deixaria escapar um “mais vale tarde que nunca”.
Mas consigo imaginar n situações em que não o é.

Basta ser algo que não seja tão prático, que não seja tão linear…algo humano, algo relacional.
Pensemos…

Como seria se algo que, apesar de termos desejado bastante, e estarmos disposto a fazer o impossível para o ter (não apenas no sentido de possuir…ampliem um pouco este “ter”), e termos decidido que não valia a pena mais o esforço, a dedicação, tudo o mais….imaginem algo assim….imaginem algo parecido na vossa vida, por certo o têm…

…imaginem que seguiram em frente…
…a vida continua, fizeram as vossas opções…
…são felizes, estão bem…

…imaginem que volta aquele algo, sem mais nem menos… volta e já não é exactamente desejado. Vem perturbar a estabilidade que têm. Causa dor, quiçá sofrimento…

A fazer ondas no vosso pequeno lago, esse pedregulho do qual se julgavam livres…

Mais vale tarde que nunca?

Incerto…1,1,2,3,5,8,13,21,34,… Terça-feira, Maio 27 2008 

Dou comigo a pensar em números.

Números e o seu significado.

Têm significado?
Sempre os vi como símbolos abstractos que representam quantidades…
Mas…
E se forem símbolos de algo mais?

Não faltam referências a números como se estes tivessem propriedades místicas.
Temos toda a numerologia que nos diz que cada número tem uma essência, uma vibração.
Cada número tem um significado…será?

Sempre tive uma preferência por vários números, expressões, e não entendo bem porquê.
Gosto de todos os números primos, todos os quadrados perfeitos, todos os números da série de Fibonacci. Tenho aversão por números pares (desde que não pertençam a qualquer um dos grupos de cima). É estranho. Como que intuitivamente escolho-os, qualquer que seja a ocasião.

Lembro agora o número mágico, que vem da sequência de Fibonacci.
Ainda me lembro de quando ouvi falar na primeira vez deste número. Na Super Interessante. Fiquei fascinado…a proporção divina. A perfeição em número.

A esta altura já se devem perguntar “Onde é que ele quer chegar?”
Bem, a lado nenhum. Tenho demasiadas perguntas na minha cabeça acerca destes números…
Brevemente postarei novos pensamentos sobre os números, algo mais concreto espero.

Somos… Segunda-feira, Maio 26 2008 

O que somos? Como nos definimos?

Dei comigo hoje a pensar de uma forma diferente.

Explicitando…

A maioria das pessoas acha que são o seu passado.
No passado era tímido, logo sou tímido…
No passado era bom aluno, logo sou bom aluno…
(porcaria de exemplos, eu sei…)

Ora, nós não somos o que fomos…o que fomos, lá está, fomos, pretérito perfeito, passado.
As pessoas mudam. Nada é estático no universo.
(Sim, há traços que se mantêm, mas mantêm-se numa interacção com o meio, ou seja, mantêm-se, mas são actualizados, o que pode introduzir pequenas nuances)

Uma visão muito mais funcional será a de “o que quero ser no futuro?”
Quem quero ser?
Ver-mo-nos como “Quem queremos ser”, alguém melhor (e aqui o melhor será o que cada um entender). Conseguem imaginar?

Façam o seguinte exercício:
1- Fechem os olhos (depois de lerem todas as instruções apenas)
2- Pensem em vocês, mas não em como são, como gostariam de ser, assim como que o vosso Eu Perfeito.
3- Já têm a ideia de Quem Querem Ser?
4- Sejam
5- É perfeito demais para o serem? Finjam que o são, representem. E não se preocupem, não soam a falso ao representar, afinal estão a representar-se a vocês próprios mas num nível de perfeição bastante superior.

Ora, mas isto é a forma como eu sempre pensei.
Qual a novidade de hoje?

Carl Jung.
A certo ponto de uma certa apresentação surge Teologia vs Causalidade.
Teologia – o que sou deve-se ao que quero ser
Causalidade – o que sou deve-se ao que fui

O meu instinto logo me disse que não a qualquer uma delas.
E devo reconhecer semelhanças entre Teologia e a minha própria visão.
Surge-me um conflito Teologia vs Minha Visão

Depois de reflectir apenas um pouco dou-me conta que Teologia (o que sou deve-se ao que quero ser) não é exactamente igual à minha teorização. Ora vejamos, o que eu sou não se deve ao que quero ser. A partir do momento em que escolho Quem Quero Ser, passo a ser (ou fingir ser) Quem Quero Ser, logo Quem Eu Sou. Confuso?
O simples trabalho mental de pensar em Quem Quero Ser junto com a real vontade de Ser, de mudança, estabelece aqui um ponto em que Quem Quero Ser = Quem Eu Sou.
Outro ponto é que o Que Eu Sou não se deve a Quem Quero Ser. Quem Quero Ser não exerce um efeito de causa sobre Quem Eu Sou. A ideia que Eu tenho sobre Quem Quero Ser, essa sim, exerce uma influência sobre Quem Eu Sou (uma influência, não uma causalidade arbitrária!!).
Continua dificil de seguir, eu sei…

resumindo…Teologia é diferente de “O que quero ser no futuro?”

Escolham Quem São. Agora e Sempre.

Arquitecto Domingo, Maio 25 2008 

Porquê arquitecto poderão perguntar-se vocês.

De facto, ao certo nem eu sei o porquê, apeteceu-me.

    Aquele que planeia,
    que estrutura,

basicamente, dá um sentido a cada traço da existência
e tudo nessa organização funciona.

    Neste sentido, tenho de dar importância às borrachas.

Ensaio sobre… Sábado, Maio 24 2008 

…A visão.

A visão é sobrevalorizada.
De todos os sentidos que nos permitem absorver a miríade de estímulos que formam o mundo exterior, este é, talvez, dos mais rudimentares, e no entanto o mais valorizado pelo ser humano.

Apercebo-me disto a braços com uma conjuntivite bacteriana que me leva parte da visão do olho esquerdo…confesso que tive medo quando acordei vendo tudo através de uma espessa neblina…mas…

…e o resto?

Que é feito do tacto?
Que é feito do paladar?
Que é feito da audição?
Que é feito do cheiro?

Que é feito de tudo isto quando é necessário apreender e interpretar os estímulos exteriores?

Felizes os cegos
Não são enganados pela visão, “vêem” (e dão verdadeira atenção) a todas as outras Verdades.

Deva também eu (e nós) dar mais atenção aos cheiros, gostos, sons, toques…pois aí reside a Verdade e não apenas no monopólio da visão.

Não passam os olhos de dois globos nas suas órbitas, ansiando por algo novo, absorvendo tudo sem discriminação.

Pois o mundo não foi feito para ser visto, mas para ser experienciado.

“The eye is a hungry mouth
That feed on the world.

Architect of image worlds
in competition with the real.

There are twin planets
in the skull.

The eye is god. And the world,
For it has its equator.
(…)

The eyes are the genitals of perception, and they too have established a tyranny. They have usurped the authority of the other senses. The body becomes a thin awkward stalk to support the eye on its rounds.
Why sould eyes be called and key to deepest human communion, and touch denied as mild collisions of flesh?” (Jim Morrison)